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Dia 12 de abril tem apresentação teatral na Estação das Artes

A Cia do Mofo (São Paulo) - com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura e do Proac - Programa de Ação Cultural - apresenta na Estação das Artes "Assumpta Marchesoni Rogado", no dia 12 de abril (sábado), às 20h, o espetáculo  HOTEL TROMBOSE.

Baseado na obra literária homônima do escritor Felipe Valério, a trama discute aspectos marginais, excludentes e evoca a todo tempo a cumplicidade do espectador. A direção e adaptação são de Fernando Gimenes e a direção musical de Fabrício Zavanella.

Uma hospedaria de quinta com cinco estrelas, onde se expõe o grotesco da realidade. A verossimilhança do freakshow cotidiano. O espetáculo apresenta experiências ocorridas no dia-a-dia de alguns habitantes das metrópoles brasileiras, sujeitos sem voz, sem espaço para o testemunho, que lutam para sobreviver num quarto de hotel decadente e abandonado. Um pedófilo que se passa por um super-herói fingindo ter superpoderes para atrair suas vítimas; dois irmãos que assistem sua mãe se afogar na banheira, enquanto comem docinhos de festa; a mãe de uma menina que nasceu com dois corações e se transformou em atração internacional e uma prostituta que se considera atriz de inigualável talento são alguns dos personagens deste espetáculo. O diabo fez alguma coisa boa, o que é muito suspeito! Ninguém se esconde e ninguém tem vergonha. 

O amor, ainda que raramente bem-sucedido, é figura constante em Hotel Trombose, mas ainda que ele não consiga se auto-realizar, há uma esperança, que vai longe, cada cena é como um sonho escondido embaixo da cama.  Vê-se todo tipo de tragédia humana que nos choca enquanto seduzem o mórbido que habita em cada ser humano. 

A Cia do Mofo [formada por artistas oriundos da Escola Livre de Teatro de Santo André, Escola de Arte Dramática da USP, Teatro Escola Macunaíma, CPTzinho e Universidade Anhembi-Morumbi] teve como inspirações para a criação deste trabalho, além do texto do escritor Felipe Valério e do universo do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, também os retratos feitos pela fotógrafa americana Diane Arbus, conhecida como a fotógrafa dos desgraçados, cuja obra mostra pessoas patéticas, vítimas lamentáveis de sua própria condição, porém que não despertam nenhum sentimento de compaixão.

A encenação apresenta atores quase sempre extáticos, de olhares quase sempre fixos. O que se vê são pessoas, cruamente expostas, em sua precária condição humana, fortemente marcada por um traço, ou vários, que usam de algum glamour barato, de algum bom gosto, de algum mau gosto, para ali se mostrar: sem análise, sem julgamento, sem denúncia.

Apesar de profundamente inseridos num contexto social, os personagens de Hotel Trombose são pessoas únicas que representam metáforas delas mesmas e que nos mostram como não sabemos reagir à violência cotidiana de estarmos cercados de brutalidade. Em Hotel Trombose não é possível odiar o vilão, nem amar a mocinha. Apenas compreendê-los e calar-se em seu respeito. 

  • Rádio Porto

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